PAZ NOS ESTÁDIOS

Por Larissa Lins e Thaisa Gabriela

O jogo que aconteceu às 16h de domingo, tinha como protagonistas os times do sport e santa cruz. Os dois possuem torcidas organizadas e não é a primeira vez que esse tipo de confronto acontece entre as duas, afinal, os times têm uma rivalidade histórica. Um dia que era para ser de diversão e confraternização entre torcidas, acabou com um homem internado e várias pessoas feridas e com medo.

Pouco antes do clássico na Ilha do Retiro, diversas brigas ocorreram pelas ruas e transportes públicos do Recife. Em uma das gravações que circularam pelas redes sociais, a que mais chamou atenção foi a que mostrou um homem, com a camisa do Santa Cruz, sendo agredido por torcedores do sport à chutes, pedaços de pau e uma pá. Ele foi identificado como Amilton Lima, 29 anos, presidente da torcida organizada Inferno Coral.

Conhecido como Buiu, a vítima foi levada para o Hospital Getúlio Vargas. Ele foi internado na Ala Vermelha do Hospital, reservada para casos mais graves e encaminhado para o Unineouro para fazer uma tomografia. Depois, voltou para o HGV e está em observação. Seu caso é considerado estável e ele não corre risco de morte.

Foto: Reprodução / WhatsApp

 

-Mais informações aqui

A cidade em dia de clássicos vira um campo de batalha para as torcidas organizadas e para os torcedores mais fanáticos, mas alguns dados do Ministério Público mostram que após banir as organizadas nos campos de futebol pernambucanos, a violência só aumentou.

A violência existe para além do futebol, já que muitos confrontos são feitos por zonas/bairros e, muitas vezes, dentro da torcida de um mesmo time. Esse tipo de confronto é muito antigo e bem caracterizado pelo Baile do Rodó, na Imbiribeira onde essas brigas entre zonas eram muito normais e decorrentes de “facções de bairros” que perpassam também por um controle dos bairros através do tráfico de drogas.

A violência nos estádios não é um tipo isolado de violência. Ela decorre de uma situação social precária, da marginalização dessas pessoas, de um déficit no sistema educacional estadual e municipal e de vários outros motivos sociais antigos no nosso país. Não veio das organizadas, veio do descaso público com essas pessoas.

“Tirar bandeirão, proibir organizadas, fazer torcida única não vai resolver. Precisa atacar o problema. Precisa ter um plano estratégico nacional para resolver isso, que reúna todas as entidades envolvidas.”, sugere Maurício Murad, sociólogo e pesquisador de violência no futebol. “Precisa primeiro punir, acabar com a morosidade da Justiça, depois preparar a polícia para lidar com multidões e aí fazer a reeducação pedagógica do torcedor. Falta vontade política pra resolver”, complementa.

O problema das torcidas está mais enraizado do que nos permitimos ver e é alimentado por diversos fatores sociais que enfrentamos no nosso país, portanto, o problema não é exclusivo das torcidas.

Foto de capa: Tomás Hammes

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