VIVENCIAL EM TRÊS ATOS

Por Renata Vasconcelos

Em curta temporada no Teatro Hermilo Borba Filho (THBF) a peça “Puro Lixo – O Espetáculo Mais Vibrante Da Cidade” relembra a transgressão estética e ideológica representada pelo grupo de teatro Vivencial. O grupo surgiu no ano de 1974 em Olinda, Pernambuco, no auge da ditadura civil militar que vigia no país. No palco os atores interpretam um pouco representando pelo Vivencial na década de setenta utilizando de referências que levam ao Modernismo e ao Tropicalismo, além das várias obras retratando os momentos de repressão, libertação e transgressão.

O Vivencial em suas raízes foi um trabalho pastoral feito com a juventude da comunidade do Amparo, o diretor do projeto Guilherme Coelho, na época monge beneditino, o grupo começou a fazer improvisos em comemoração aos dez anos da associação, recebendo o nome de Vivencial I. Por conta de seus assuntos polêmicos passaram a atuar em outro local e não mais no fundo da igreja.

Absorvendo desse caráter polêmico, Puro Lixo conta em seus três atos usando do cenário de cabaré dos anos 20 e 30 para apresentar por uma ótica crítica e provocativa obras como: as Vivecas, o discurso “Seja marginal, seja herói” sendo um símbolo da opressão policial, o Movimento Armorial com obras de Gilberto Freyre, o discurso da autocensura, referências a Trupe Do Barulho e entre outras obras e autores.

A construção do cenário trouxe a natureza metateatral e do vivencial, pois integrava os bastidores, palco e plateia em uma única formação. Esta construção tem muito a falar sobre a história do grupo, pois mostra a realidade dos locais sem muita estrutura onde costumavam se apresentar deixando o público bem próximo da realidade daquilo que costumava ser. Por meio deste modelo há uma mistura dos atores com a plateia trazendo uma maior conexão com o que está sendo apresentado. A boca em cima da cortina do palco sugere a licenciosidade do espirito do vivencial.

Os figurinos chamam atenção, pois produzem as metamorfoses de cada um em cena. O trabalho da composição dos figurinos foi feita num diálogo direto com o elenco sendo fácil para eles se caracterizarem e descaracterizarem durante os atos. O figurino traz consigo a ambiguidade entre os personagens e os atores fazendo o público se questionar sobre a natureza de cada um dentro da cena.

Puro Lixo é uma obra que vem para dialogar e questionar o público sobre temas polêmicos repercutido por meio das obras e a realidade da década de setenta ainda vista nos dias de hoje. Nesta breve temporada foi possível ver a construção do grupo de teatro Vivencial que trouxe textos polêmicos por meio do improviso para os palcos.

Foto de capa: Divulgação

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