PARA(O)LIMPÍADAS #1 – UMA CHAMA QUE NÃO PODE SER APAGADA

Por: Rodrigo Carvalho 

Começa amanhã (7), na cidade do Rio de Janeiro, as Paraolimpíadas Rio 2016. O evento, que vai até o dia 18 de setembro, conta com toda a estrutura das Olimpíadas, porém sem toda a visibilidade que merece. A equipe de esportes do site Leão do Norte fará uma série de reportagens especiais sobre o evento. Nesta primeira matéria, iremos falar um pouco sobre a história da competição, curiosidades, e o que esperar dos atletas brasileiros nesta edição.

História

Os primeiros jogos Paraolímpicos, sob esse nome, foram realizados em Roma, na Itália, em 1960. Com 400 inscritos, de 23 países. Porém, o evento tem a sua origem na Inglaterra, pois era tido como uma forma de reabilitar psicologicamente militares que eram feridos durante a guerra. O sucesso foi tão grande que os jogos foram crescendo e em 1976 mais de quarenta países já estavam participando das competições. Em 1944, a pedido do governo britânico, o médico Ludwig Guttmann abriu um centro especializado em lesões na coluna, no Stoke Mandeville Hospital, onde a reabilitação por meio do esporte evoluiu de recreacional para competitiva. Em 29 de julho de 1948, na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, Guttmann organizou a primeira competição em cadeiras de rodas, à qual chamou de Jogos de Stoke Mandeville. Dezesseis militares inscritos, entre homens e mulheres com algum tipo de lesão, participaram do torneio de tiro com arco. Em 1952, militares holandeses aderiram ao movimento e os Jogos de Stoke Mandeville se tornaram internacionais. Desde então, são promovidos a cada quatro anos, assim como os Jogos Paraolímpicos de Inverno, que tiveram sua primeira edição em 1976, com sede em Örnsköldsvik, na Suécia. As Paraolimpíadas são disputadas a cada quatro anos, nos mesmos locais onde são realizadas as Olimpíadas, usando a mesma estrutura montada para os atletas olímpicos. São 19 modalidades em disputa por atletas portadores de deficiências, divididos em categorias funcionais de acordo com a limitação de cada um, para que haja equilíbrio. 

Chances de medalhas

O Brasil, já há algum tempo, vem ganhando destaque nas edições dos jogos Paraolímpicos. Esse ano não será diferente, segundo o Comitê Paraolímpico, o país tem pretensão de figurar no Top 5 da competição. Como destaque, temos as seguintes modalidades com grandes chances de garantir medalhas:

Atletismo: (Teresinha Guilhermina, Petrucio Ferreira, Yohansson Nascimento, Daniel Tavares, Felipe Gomes, Alan Fonteles e Shirlene Coelho.)

O Brasil contabiliza 109 medalhas no atletismo em Jogos Paraolímpicos, das quais 32 são de ouro, 47 são de prata e 30 são de bronze. As conquistas no atletismo começaram na edição de Nova York/Stoke Mandeville, em 1984, quando a delegação brasileira voltou para casa com 21 medalhas (6 de ouro, 12 de prata e 3 de bronze). De lá para cá, o Brasil nunca mais deixou de subir ao pódio no atletismo nos Jogos Paraolímpicos.

Natação: (Daniel Dias e André Brasil)

A natação é, depois do atletismo, a modalidade que mais rendeu glórias ao Brasil ao longo das edições dos Jogos Paraolímpicos. Ao todo, o país soma 83 medalhas, sendo 28 de ouro, 27 de prata e 28 de bronze. As conquistas tiveram início ainda em Stoke Mandeville-1984 e, de cara, o país faturou sete medalhas. O ouro ficou por conta de Maria Jussara Mattos, no 4x50m classe 6.

Futebol de 5: A modalidade praticada por atletas com deficiência visual entrou para o programa dos Jogos Paraolímpicos em Atenas-2004. Desde a estreia, todas as edições foram vencidas pelo Brasil. Depois da conquista do tricampeonato consecutivo em Londres-2012, a equipe recebeu o prêmio do Paralympic Sport Awards, do Comitê Paraolímpico Internacional.

Goalball: O Brasil estreou no Goalball em Jogos  Paraolímpicos na edição de Pequim-2008. Já em Londres-2012 viria a primeira medalha. A prata foi conquistada pela equipe masculina que, na final, foi derrotada pela Finlândia.

Bocha: (Maciel Santos, Dirceu Pinto e Eliseu dos Santos.)

As conquistas brasileiras nos Jogos Paraolímpicos tiveram início com uma modalidade que, apesar de não continuar no programa paraolímpico, é conhecida como uma espécie de bocha na grama. Foi no lawn bowls que Luiz Carlos da Costa e Robson Sampaio de Almeida faturaram a primeira medalha brasileira nos Jogos, com uma prata na disputa em duplas, em Toronto-1976. Na bocha atual, o Brasil também é destaque. Já são oito medalhas, sendo cinco de ouro e duas de bronze, todas conquistadas nas edições de Pequim-2008 e Londres-2012. 

Esgrima com cadeira de rodas: (Jovane Guissone.)

O Brasil estreou no pódio da esgrima em cadeira de rodas nos Jogos Paraolímpicos em Londres-2012. A primeira conquista já rendeu a medalha de ouro ao país, com a vitória de Jovane Guissone na prova de espada.

Judô: (Antônio Tenório e Willians Araujo.)

Praticada por atletas com deficiência visual, o judô perde apenas para o atletismo e a natação entre as modalidades que mais renderam medalhas ao Brasil em Jogos Paraolímpicos. Ao todo, são 18, sendo quatro de ouro, cinco de prata e nove de bronze. As primeiras conquistas ocorreram em Seul-1988, quando o país levou três bronzes. O Brasil está presente no pódio paraolímpico de judô em todas as edições desde Atlanta-1996.

Voleibol sentado:

O Brasil é vice-campeão Mundial e campeão Parapan-Americano. Vai lutar contra as superpotências da modalidade, Irã e Bósnia-Herzegovina.

Polêmica dos ingressos

Logo após o sucesso dos Jogos Olímpicos Rio 2016 que esgotou todos os seus ingressos e foi um verdadeiro sucesso, veio à tona a falta de procura para os ingressos das Paraolimpíadas, a procura chegava a ser tão baixa que ingressos de algumas modalidades chegavam a ser comercializados por R$10,00. Após uma intensa campanha nas redes sociais, as vendas dos ingressos aumentaram substancialmente, e no dia 29 de agosto o Comitê Paraolímpico Brasileiro anunciou que haviam sido comercializados 1 milhão de ingressos no total, graças as campanhas feitas pela internet.

Curiosidade #1:

Paraolimpíadas ou Paralimpíadas? Até 2011, a palavra portuguesa para designar o evento era “Paraolimpíadas”. Nesse ano, o Comitê Brasileiro adotou a grafia “Paralimpíadas”, para se assemelhar ao Comitê Paralímpico Internacional, que é chamado desse jeito desde 1989, quando foi fundado. O nome, no entanto, não faz sentido morfológico. Segundo a gramática da língua portuguesa, se tivesse de contrair uma das vogais, seria a pertencente ao prefixo “para”, e não à palavra adjacente. Portanto, pode-se usar “Paraolimpíadas” ou “Parolimpíadas”, mas nunca “Paralimpíadas”. Apesar de a regra ser clara, as entidades não abriram mão de utilizar o termo equivocado. 

As pessoas com deficiências física e mental não precisam de nossa pena ou de nossa compaixão, mas sim do nosso apoio e de luta conjunta pela democratização das oportunidades de acesso para além do âmbito dos jogos, e acima de tudo, o respeito ao próximo. Toda a equipe do site Leão do Norte deseja uma boa sorte aos atletas, e que eles façam o que sabem de melhor, que é representar de forma honrosa o nosso país.

Foto de capa: Fernando Borges / Terra

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