OLIMPÍADAS PARA TODOS, EXCETO OS BRASILEIROS

Por Anna Tenório e Rebecka Santos

Em 2 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar as Olimpíadas e as Paraolimpíadas de 2016, sendo a primeira vez do maior evento esportivo do mundo na América do Sul.

Desde então, para receber o evento, vêm sendo realizado construções e reformas dos centros esportivos que sediarão as competições, além da construção da Vila Olímpica e Paralímpica para alojar os atletas. Mudanças na infraestrutura da cidade também ocorreram durante esse tempo para receber os turistas do mundo todo.

Projetos como o “Morar Carioca”, que prevê a reurbanização de todas as favelas da capital fluminense até 2020 com um conceito de sustentabilidade acompanhando-o, fazem parte da melhoria da cidade para as Olimpíadas. No transporte também houve mudanças como a criação da “TransCarioca”, cujo corredor de 39 quilômetros que vai da Barra da Tijuca à Ilha do Governador, no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), passa por 27 bairros, cruzando o Rio de Janeiro transversalmente. Outras obras ainda estão em andamento e a cidade está correndo contra o relógio para tudo estar pronto daqui a 18 dias devido a atrasos.

Apesar de toda a reforma, problemas sociais, como a desigualdade e a violência nas favelas, ainda persistem em compor negativamente o cenário da cidade “maravilhosa”. Nos últimos meses vários acontecimentos mostraram que o Rio de Janeiro necessita de reformas que ultrapassam a infraestrutura para receber um evento tão grandioso. Como nos casos da queda da ciclovia recém inaugurada matando pessoas, da morte do homossexual negro na UFRJ, da greve na UERJ, da falta de medicamentos no SUS, do estupro coletivo tão repercutido nacionalmente e do menino de 10 anos morto por policial.

Paralelo a esses acontecimentos, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro resolve “maquiar” a cidade colocando placas com decoração olímpica nos muros que separam o Complexo da Maré da principal via em que turistas irão chegar no Rio. Muitos recursos estão sendo gastos para servir como tentativa de esconder, por hora, a verdadeira realidade do Brasil. Segundo o Secretário de Turismo, Antônio Pedro, em entrevista à Folha, a instalação de adesivos, bandeiras e painéis são para decorar e botar a cidade no clima olímpico e não para esconder a favela. Entretanto, sabemos que um dos maiores problemas do nosso País são a marginalização das áreas periféricas, e quanto a isso pouco ainda é feito para melhorar definitivamente.

Vale ressaltar que, apesar do foco estar no Rio de Janeiro agora, o país todo enfrenta sérios problemas em diversos âmbitos. A corrupção, o descaso, a leviandade e ineficiência de nossos governantes é algo preocupante e que precisa ser colocado como prioridade e solucionado antes de sediar um evento que envolva o turismo. A segurança, o transporte e a saúde necessitam de melhorias, antes de tudo, para os brasileiros e não apenas para os estrangeiros.

Foto de capa: EBC

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