VIOLÊNCIA URBANA: SUAS CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS

Por Anna Tenório

A violência urbana é um fenômeno crescente em todo território nacional. Suas principais causas são, geralmente, o descaso do Estado com as instituições públicas fundamentais, como educação, transporte, lazer, saneamento. Mas vale salientar, que não é a pobreza a origem da violência e sim a falta de oportunidades em empregos, a desestruturação familiar, a ausência do poder público nos centros urbanos e tantas outras causas que tirem de uma pessoa a chance de se tornar um membro produtivo da sociedade.

Andar nos coletivos do transporte público, nas ruas pouco iluminadas da cidade ou mesmo entrar em algum tipo de estabelecimento, tem sido motivo de receio para os recifenses que hoje veem sua rotina pautada no medo da violência.

Esse desassossego todo é embasado nos índices crescentes de criminalidade na capital Pernambucana. Somente neste ano já foram registrados 1412 homicídios nos primeiros quatro meses do ano, de acordo com a SDS. Mesmo assim, houve alguns tímidos avanços na redução do número de homicídios por armas de fogo, em que foi registrada uma queda de 32,8 para cada 100 mil habitantes, ainda que, a média nacional seja de 21,2.

No caso dos assaltos a ônibus, os números também são dramáticos. São aproximadamente 704 ônibus assaltados na Região Metropolitana do Recife no período de janeiro a maio, de acordo com o sindicato dos rodoviários de Pernambuco.

Em um Estado, as instituições públicas são interdependentes, ou seja, para garantir o bom funcionamento de uma é necessário que a outra também esteja em condições de se manter e dar suporte a outra. O que não tem acontecido nos últimos anos. Já é sabido que a educação é a chave para diminuir índices de criminalidade, uma vez que por meio do conhecimento é capaz de prometer um futuro promissor a um jovem, mas além de não ser uma tarefa simples, ela não tem sido a prioridade do governo que cada vez mais se preocupa com um sistema punitivo ao invés de um preventivo.

Nosso sistema penitenciário é ineficiente, pois além de não garantir a ressocialização, o número de presos é alarmante. Cerca de 7 mil presos ocupam um espaço com capacidade para 1,8 mil no complexo do Curado, sendo assim, já é considerado o maior presídio do Brasil quando o assunto é população carcerária.

Atrelado a todos esses fatores, temos também o culto a uma cultura da violência, onde estereótipos são os protagonistas ao lado da valorização da punição a qualquer custo. Cansada de tanto descaso, muitas vezes, a própria população faz ‘justiça com as próprias mãos’ e parte para agredir fisicamente aquele que, por ventura, cometeu um crime. São os famosos linchamentos. Que no final das contas, servem também para trazer ainda mais violência ao dia a dia.

 

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