A DESCONSTRUÇÃO DA CULTURA MACHISTA NOS HQ’S

Por Anna Tenório e Renata Vasconcelos

O patriarcalismo é empregado desde os tempos antigos, onde a mulher era obrigada a ficar em casa e cuidar dos filhos. Os tempos mudaram e houveram conquistas  decorrentes de décadas de lutas. Porém, isso ainda não é suficiente, pois ainda tem muito a ser desconstruído quando estamos falando dos que foram educados nesse meio e ainda repassam o mesmo comportamento aos seus filhos.

A gênese da desconstrução de uma cultura machista veio no século XX com a posição das mulheres em começar a reivindicar direitos iguais aos dos homens e ao questionarem publicamente sobre diversos estigmas morais. Ao mexerem com o padrão de vida e as condições igualitárias de salário, a sociedade começou a reconhecer, de fato, o poder das mulheres.

As histórias em quadrinhos não são consideradas literatura, mas é um gênero que constitui algo incrível ao aliar texto e imagem com a mesma finalidade. Os famosos HQ’s surgiram no início do século XX e no começo seu público alvo seria o juvenil e especialmente o masculino. O que serviria para construir na cabeça daqueles jovens leitores um modelo ideal de homem. Sendo assim, geralmente os super-heróis são fortes, destemidos e incrivelmente enquadrados aos padrões de beleza. Hoje é possível reconhecer que tal parâmetro da cultura machista também atinge os homens, sobretudo, quando os diz como eles devem ser para serem reconhecidos e ocupar algum lugar de destaque na sociedade.

Em 1941 aconteceu algo ao qual, a princípio, apresentou-se como fabuloso a todo o mercado editorial e que traria uma nova perspectiva social. A primeira personagem feminina da história da DC comics acabava de ser criada: a mulher maravilha. No entanto, todo esse entusiasmo durou pouco e suas reais proposições começaram a ser exibidas ao longo do tempo. Pois, ali se mostrava um modelo de mulher grandemente hipersexualizada.

 

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Fonte: Conversa Cult

Seja por sua roupa bastante curta e colada ao corpo, seja pelas posições em que foram desenhadas, mostrando que estão sempre a seduzir, ou mesmo pela hipervalorização de suas curvas naturais; onde seios fartos, cintura fina e pernas grossas tornaram-se meros fantoches e motivo de incitação para os homens. Antes de tudo, ali era vendido um modelo de mulher.

Outro fator relevante que contribui para a perpetuação do machismo nos universos dos quadrinhos é o fato das super-heroínas serem, em sua imensa maioria, versões femininas de super-heróis. Como por exemplo, a supergirl, a batgirl e a robina. Ou ainda em casos de anti-heróis como o coringa e arlequina, com a ressalva que este caso é ainda mais delicado, uma vez que eles dois tem um relacionamento abusivo e a arlequina muitas vezes é até agredida fisicamente pelo coringa.

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Fonte: Quiboa

Há alguns anos os quadrinhos invadiram as salas de cinema, todavia, até hoje, entre tantos milhões de histórias que já foram adaptadas para o audiovisual, ainda não existe nenhum filme que conte a história de uma personagem feminina. Seja ela, super-heroína ou anti-heroína.

No entanto, recentemente foi divulgado pela DC o lançamento de um longa de animação, intitulado: DC Super Hero Girls: Hero of the Year. Ele foi licenciado pelo estúdio e baseado numa linha de brinquedos. Na história, que tem seu público alvo concentrado em meninas entre 6 e 12 anos, terá como protagonistas apenas as personagens femininas. O que acaba por iniciar, por meio do público infanto-juvenil, a ruptura de um estigma já tão instituído na sociedade.

Os grupos feministas existentes em todo País promovem também a descontração desta opressão por meio da cultura, como no caso das histórias em quadrinhos. Visto que não é tarefa fácil, uma vez que a sociedade ainda responde violentamente ao emponderamento feminino, quando estas desafiam os ensinamentos obsoletos; O que muitas vezes, ainda hoje, traz consequências para as mulheres, que mesmo não se calando, acabam sofrendo de violências físicas a ataques verbais.

A grande questão não é ser anacrônico e desconsiderar todo um contexto e toda uma cultura e valores referentes a uma determinada época, mas sim o questionamento do porquê de tais princípios ainda hoje permanecerem tão ativos na sociedade.

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