VAZAMENTOS DE CONVERSA DE MEMBROS-CHAVE DO PMDB CAUSAM NOVAS TURBULÊNCIAS NO GOVERNO TEMER

Por Vinícius Andrade

Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em sua delação premiada apresentou uma série de gravações feitas com membros da cúpula do PMDB durante os meses que antecederam a aprovação do processo de impeachment e afastamento da presidente.

O novo “homem-bomba” do escândalo da Petrobras, Sérgio Machado, terá seu nome incluído no inquérito da Operação Lava Jato a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Machado se torna um investigado no STF, podendo ser julgado em um inquérito vigente em Curitiba por suposta lavagem de dinheiro e corrupção passiva em decorrência do “rombo” no caixa da Transpetro. As suspeitas dizem respeito às propinas e transações ilícitas em negócios ligados a empresa enquanto ele era presidente. Fatos já relatados por outros delatores.

Na quarta-feira, 25 de maio, o ministro do STF, Teori Zavascki, homologou sua delação. O procurador-geral da República tem a possibilidade de utilizar o conteúdo da delação para abrir outros inquéritos que elucidem novos caminhos da operação ou acrescentem seu testemunho em investigações já abertas.

As gravações contêm conversas entre Sérgio Machado e os Senadores Romero Jucá(PMDB-RR) e José Sarney(PMDB-AP), ex-presidente da República, e com o presidente do Senado, Renan Calheiros(PMDB-AL). Nelas, os políticos demonstram um certo temor caso Sérgio Machado venha a ser preso e a pela expansão da Operação Lava Jato.

Os diálogos com Romero Jucá ocorreram algumas semanas antes da votação na Câmara dos Deputados sobre o impeachment. Neles, os dois discutem a situação instável no meio político, concordam na necessidade de haver o impeachment e, principalmente, sobre as investigações feitas pela Operação Lava Jato. Em um determinado momento, Jucá           comenta que a alternativa para conter a Lava Jato seria uma mudança de Governo a qual culminaria em uma série de acordos para “estancar a sangria”. Na criação do Governo Temer, Romero Jucá havia se tornado ministro do Planejamento. Após o vazamento dos áudios, ele pediu exoneração do cargo.

Renan
Presidente do Senado, Renan Calheiros. Foto: André Dusek / Estadão

Na conversa com o presidente do Senado, Renan Calheiros, novamente é falado sobre a insustentabilidade do Governo Dilma e as possíveis delações das empreiteiras: Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS. A partir da conversa, há o conhecimento de que a presidente Dilma antes de ser afastada procurou João Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo, e Otávio Frias Filho, diretor de redação da Folha de São Paulo, questionando a posição tão incisiva da mídia naquele momento em relação a seu governo. O diretor da Folha admitiu certos exageros e João Roberto Marinho explicou que estava havendo um “efeito manada contra o governo”. Fica claro o desejo de Renan de que haja uma mudança na lei da delação premiada, em sua visão, se o indivíduo estiver preso, não deveria possuir o direito a uma delação.

Sérgio Machado também gravou conversas com José Sarney. Nelas, eles se mostram bastante apreensivos com a possível delação da Odebrecht, que conforme expressão de Sarney, “vem com uma metralhadora de ponto 100”, levando a crer que caso ocorra tal delação será revelado a participação dos envolvidos, não importando o partido. Além de apontarem o risco do aumento no número de delações no futuro. A conversa ainda serve para reforçar a parte da delação de Delcídio do Amaral onde relata o envolvimento direto da presidente Dilma Roussef em um esquema ilícito de financiamento para sua campanha presidencial com a empreiteira Odebrecht, fato também presente nos áudios de Renan Calheiros.

Uma nova gravação foi divulgada pela TV Globo entre o ex-presidente da Transpetro e José Sarney. Nela, Sérgio Machado conta ter auxiliado a pedido de Michel Temer a campanha “do menino”, que os investigadores acreditam ser Gabriel Chalita(PMDB-SP). O presidente Temer negou que tenha feito qualquer pedido a Sérgio Machado.

Fabiano Silveira
Ministro da transparência, fiscalização e controle. Foto: Wikimedia Commons

No dia 29 de maio, o programa da TV Globo, Fantástico, divulgou um novo áudio contendo uma conversa que ocorreu no final de fevereiro entre Sérgio Machado, Renan Calheiros, o atual ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, e o advogado, Bruno Mendes. Na época, Silveira era conselheiro do Conselho Nacional de Justiça(CNJ). Ao longo da conversa, o ex-conselheiro orienta certas estratégias, manobras, que tanto Machado quanto Calheiros deveriam seguir para não se comprometerem com a investigação da PGR. Em outra gravação, Renan e Sérgio Machado comentam a busca de Fabiano Silveira por informações privilegiadas com  pessoas ligadas à Lava Jato sobre a situação dos inquéritos contra o presidente do Senado. Na manhã de segunda-feira(30), servidores públicos protestaram na frente do Ministério da Transparência querendo a demissão do ministro, manifestação também ocorrida por parte de parlamentares.  Ao longo do dia, o Presidente Temer comentou que a possível saída do ministro Fabiano Silveira dependeria da repercussão do caso. À noite, o referido ministro pediu exoneração.

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