MARCHA DAS VADIAS

Por Larissa Lins

Pesquisa do Datafolha com uma margem de 100 mil pessoas em 84 municípios brasileiros revela que 64% da população brasileira tem medo de sofrer agressão sexual. Entre as mulheres, o percentual chega a 90%.

Cerca de 50 mil mulheres são estupradas por ano no Brasil e apenas 35% dos casos são notificados.

Dados do IPEA apontam que 56,5% das pessoas questionadas sobre uma pesquisa, afirmam: “Se as mulheres soubessem como se comportar, haveriam menos estupros”.

Também segundo o IPEA, 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima.

Mesmo com dados alarmantes, as vozes femininas que tentam trazer esta realidade à tona são caladas e ridicularizadas em todos os níveis sociais, implícita ou explicitamente.

As formas de violência contra as mulheres no Brasil variam de algo mais sutil, como a sub-representarão feminina no congresso nacional, a um caso de estupro coletivo a uma jovem de 17 anos. Percebe-se o quão nociva é a perpetuação dessa cultura quando as pessoas insistem em culpabilizar a vítima da violência, dando continuidade ao senso comum que ensina as mulheres a não serem estupradas e não aos homens (cis) a não estuprarem e respeitarem a figura da mulher. Em resposta a todo o ódio e misoginia aplicados contra as mulheres, foi realizada na tarde de sábado (28) a sexta edição da Marcha das Vadias-Recife.

Como influência direta do movimento SlutWalk iniciado em Toronto, a Marcha das Vadias tem como principal objetivo desconstruir a ideia de culpabilização da vítima em casos de violência sexual e trazer à superfície outros temas feministas a cerca de questões como a legalização do aborto e uma maior representação política. Organizado pelo Coletivo Marcha das Vadias, o ato contou com intervenções artísticas de outros coletivos feministas e artísticos como o Periféricas e o Femme da UFPE.

Foto 1
Foto: Anna Tenório
No evento do facebook da Marcha, cerca de quatro mil pessoas confirmaram presença. O ato foi composto por diversas mulheres e alguns homens. Entre essas mulheres, vinha Raissa com sua filhinha. Quando questionada sobre o porquê de ter levado sua filha, Raissa respondeu que quer que o movimento faça parte da construção da realidade da sua filha, trazendo à pequena uma formação diferente da que teve.

Marcha 2016 (8)
Foto: Anna Tenório
A pauta das mulheres transexuais e travestis também tinha suas representantes. Anne Celestino, escritora do Blog TRANStornada levou uma reivindicação mais específica, a retirada da lei do nome social por um congresso sem representatividade alguma. “Nós tínhamos o direito do nome social e dos banheiros nas escolas, durante o governo Dilma […] e a nossa vida com esses direitos já era difícil, porque eles eram negados em várias escolas, agora, sem essa lei vão negar muito mais”.

Foto 3
Foto: Marcela Dias
Trinta.

Quarenta.

Aproximadamente cinquenta mil mulheres são estupradas no Brasil todos os anos.

Precisamos falar sobre a cultura do estupro!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s