FOTO: Valter Campanato/ Agência Brasil

QUATRO PERNAMBUCANOS NO GOVERNO INTERINO DE TEMER

Por  Anna Tenório e Rebecka Santos

FOTO: Valter Campanato/ Agência Brasil
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Vinte e cinco homens compõe o ministerial da gestão de Temer. A ausência de mulheres e o corte ou fusão de alguns ministérios tem sido questionado amplamente por diversos setores da sociedade. Entre os ministros escolhidos por Temer para dar seguimento à condução do governo no período em que Dilma está afastada, quatro deles são Pernambucanos. Bruno Araújo (PSDB-PE), Raul Jungmann (PPS-PE), Fernando Bezerra Filho (PSB-PE) e Mendonça Filho (DEM-PE). 

Quando a presidenta Dilma Rousseff deixou o palácio do Planalto no início do mês, Michel Temer, agora na condição de Chefe interino, apressou-se em estabelecer medidas provisórias para organizar a Presidência da República. Temer já fez grandes alterações, como a mudança total de todos os ministros, criou toda uma comunicação visual nova e, principalmente, fez o País retroceder décadas de avanços em políticas sociais.

Entre os representantes pernambucanos no novo ministerial está Bruno Araújo, o Deputado que deu o voto número 342 na votação pelo impeachment na Câmara dos Deputados. O atual ministro das cidades começou a ganhar projeção nacional na Câmara, quando ainda no ano passado, se tornou um dos líderes de oposição ao governo. Ele, que é ex-aluno da UFPE, formou-se em direito e foi eleito Deputado Estadual em 1998. Eleito novamente em 2002 foi também líder do governo de Jarbas Vasconcelos (2003-2006).

Em uma de suas primeiras entrevistas como ministro das Cidades, o tucano afirmou que seria necessário reavaliar o programa Minha Casa Minha Vida, uma vez que o governo não teria como suprir os gastos assinados pela Presidenta Dilma no final de março deste ano. Em seguida, anunciou um corte de verbas, que segundo o Ministério, seria correspondente a 1,5% no programa do governo federal.

Um dos grandes opositores da política agrária de Lula, Raul Jungmann, assumiu o cargo deixado por Aldo Rabelo que liderou o ministério da defesa no governo Dilma. Jungmann que ajudou a fundar o Partido Popular Socialista (PPS), foi Deputado Federal três vezes e já tem experiência com ministérios. Há 20 anos, comandou o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) de Fernando Henrique Cardoso, onde, posteriormente foi acusado de desviar 33 milhões em recursos públicos para o pagamento de contratos de publicidade do Incra, entre 1998 e 2002. No entanto, o crime prescreveu em 2011.

Também foi vice-presidente da CPI mista dos sanguessugas e secretário-geral da frente Brasil sem armas, onde travou a luta contra o desarmamento, que culminou no referendo em 2005, enquanto era Deputado Federal. Foi eleito Vereador do Recife em 2012, mas renunciou para assumir uma suplência na Câmara dos Deputados em 2015.

O Ministério de Minas e Energia foi entregue ao pernambucano Fernando Bezerra Filho. Em 2006 ele foi eleito o deputado federal mais jovem, com apenas 22 anos. É filho do Senador Fernando Bezerra Coelho, investigado pela Lava-Jato. Antes de assumir o ministério, o pernambucano que é formado em administração pela Faap, estava em seu terceiro mandato consecutivo como deputado e foi o 3º vice-presidente da comissão especial que analisou o processo de impeachment.

O ex-governador de Pernambuco, José Mendonça Bezerra Filho, assumiu o que a princípio, seria uma fusão do Ministério da Educação com o da Cultura (MEC). No entanto, cedendo a pressão popular, dos artistas e a pedidos do próprio ministro, Michel Temer voltou atrás e decidiu recriar, por meio de uma medida provisória, o MinC (Ministério da Cultura) no último sábado (21) com a nomeação de Marcelo Calero para comandar a pasta.

Vale salientar que o fim do MinC foi considerado um retrocesso devido a importância da criação dele na redemocratização do País, pois no governo autoritário a cultura estava completamente subordinada à educação. Com o MinC áreas como audiovisual, culturas indígenas e direitos autorais ganharam enorme impulso. É a partir desse Ministério que podemos iniciar debates, desconstruir preconceitos e propagar a aceitação das diferenças existentes no âmbito social.  Além disso, a cultura é economia poderosa, grandes democracias reforçam isso investindo em suas políticas culturais.

Em Recife, Mendonça Filho, como é conhecido, foi eleito Deputado Estadual, ex-governador e antes de assumir o Ministério da Educação era Deputado Federal. Enquanto foi Governador do Estado, após a renúncia de Jarbas Vasconcelos para disputar a eleição de Senador, Mendonça foi um dos principais articuladores do processo de privatização da Celpe.

O atual ministro da educação vem encontrando resistência de vários setores da sociedade por sua nomeação para a pasta. As críticas são pautadas em ações de seu partido, o DEM, considerado inapto para assumir tal posição devido a ausência de ações e perspectivas com relação a Educação no País. Como por exemplo, o questionamento judicial a cerca da constitucionalidade do ProUni (Programa Universidade para Todos) e a cerca do sistema de cotas , mas ao fim, ambos foram julgados pelo STF, que declarou a ação improcedente.

Além, da sua defesa na proposta de emenda constitucional que permitiu que as Universidades Públicas cobrassem mensalidade para cursos de extensão, pós-graduação lato sensu e mestrados profissionais, mudando a Constituição de 88, são os principais motivos para a sociedade não estar de acordo com sua nomeação para o Ministério.

A proposta intitulada Ponte Para o Futuro, é fundamentada, principalmente ao incentivo à iniciativa privada e apresenta um recuo com relação aos direitos trabalhistas e garantias da continuidade dos investimentos em programas sociais. Não apenas os políticos pernambucanos, mas todo o ministerial indicado por Michel Temer, provém de preferências políticas conservadoras e isso que tem causado receio nos brasileiros.

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